QUANDO SURGIU O TAROT?

O Tarot nasceu no norte da Itália do século XIV, embora as referências mais antigas sobre cartas de jogo na Europa estejam em um dicionário catalão.

Apesar da conotação mágica e intocável das cartas, elas não vieram do Egito. Suas imagens vêm da mesma tradição cultural dei Trionfi de Francesco Petrarca, de alguma forma aproximando o Tarot da poesia.

Ainda assim, é um baralho sem autoria. Talvez por ter se perdido no tempo, mas certo é que esta autoria é tão múltipla que toma a forma de quem o consulta. “Ele é fruto”, nas palavras do poeta argentino Alberto Cousté, “de uma soma de indivíduos e da paciência dos séculos”.

E sua eficácia começa onde uma leitura das cartas termina, porque ninguém acabará de ler este livro que ninguém escreveu, porque o olhar de quem o lê torna a escrevê-lo.

É uma arte combinatória, um exercício intelectual de primeira ordem: não só porque requer a concentração do intérprete ante a pluralidade de vários níveis das imagens, mas porque proporciona um diálogo inteligente entre quem interpreta e quem recebe a interpretação.

COMO O TAROT FUNCIONA

As cartas são indicadores de caminhos possíveis para as diversas situações de nossas vidas. E por falarem em possibilidades, elas estão bem longe de serem fatalistas, como se o destino de cada um estivesse gravado em pedra desde o começo dos tempos.

O Tarot não tem mestres. Quando se faz uma consulta ou quando se aprende Tarot, uma boa lição é não se curvar diante de nenhuma figura que se considera dona de uma, alguma ou toda a verdade.

Em vez disso, o mais prudente é se inspirar naquilo que ouvimos ou lemos e seguir firmes e fortes, construindo nosso próprio entendimento aos poucos, sem pretensões apressadas.

Porque o que importa mesmo, no Tarot, é como encaramos essas cartas: como lidamos com os símbolos e como as mensagens deles nos transformam ao longo do tempo. Aí está o ouro do Tarot.

E assim como a Astrologia, que incentiva o estudo do Mapa Astral e da Revolução Solar, o Tarot exige trabalho contínuo: anotar as cartas que saem e ler e reler as análises são imprescindíveis para um melhor aproveitamento do oráculo. As cartas são como retratos de nossas vidas.

A nossa relação com as cartas é sempre gradativa. Ninguém conclui um curso sabendo todo o conhecimento condensado no Tarot, mas apenas uma parcela desses saberes.

A melhor orientação é aprender com livros e workshops, pesquisar métodos e teorias e se dedicar respeitosamente às informações trazidas por esse material.

Não há instituições que regulam ou determinam o uso do oráculo. Claro que esse fato não desqualifica a autoridade de quem pesquisa, trabalha e divulga o Tarot com clareza e constância.

Existem facilitadores aptos para dirigir o estudo e a prática das pessoas ao longo do caminho dos arcanos, mas quando o assunto é Tarot, o único mestre é ele mesmo.